Vegetariando e festejando pelo VegFest em Curitiba



Estamos de volta para mais um destino do Vegetariando Por Aí, e dessa vez não foi só turismo! Esse final do mês de Setembro voltamos a Curitiba para o maior congresso vegetariano da América Latina, o VegFest. A Dani, que também é coordenadora da União Libertária Animal(ULA), tinha uma missão: honrar o convite de ser uma das palestrantes e compartilhar informações de qualidade sobre Direitos Animais para crianças com quem dedicasse seu tempo a ouvi-la. Olha a responsa! Mas correu tudo super bem, sala cheia de pessoas incríveis e nossa gratidão por estarem lá compartilhando esse momento.


Foto: Felipe Di Pietro
A ansiedade disso se mesclava a de encontrar pessoas que motivam, inspiram e orientam. Isso incluía as pessoas por trás de projetos como Instituto Nina Rosa, Anda News, Vista-se, escritores e muitos outros. A programação estava ótima. Demos preferência a dois assuntos que estão em ascensão e que nos interessam, o empreendedorismo social, e a educação humanitária e vegetarianismo para crianças. Mas ainda tinham conteúdos sobre ativismo, nutrição e arte. Para se ter uma ideia, fomos brindados com uma apresentação intimista do músico Osmar Barutti, integrante do Sexteto do Jô Soares e vegetariano.


Os três primeiros dias de VegFest ocorreram no campus agrárias da UFPR, e nesse período foi oferecido alimentação vegana no restaurante universitário. Ao que parece, diante do diálogo e da prática bem sucedida, essa opção vegana continuará. O que é um grande avanço tanto para a oferta de alimentação inclusiva, ética e saudável, quanto para a progressão de que um dia não seja mais uma opção, mas o habitual.

No local também tinha uma feira com diversos estandes! A maioria de lanches para saciar a voracidade vegana. Lá encontramos muita gente legal, com projetos incríveis.  De cupcakes veganos doces e salgados da Waleskups de Santa Maria (RS), aos hamburgueres, pingos (versão melhorada da tal coxinha. Esse é vegano e assado, apesar de parecer frito!) e a melhor pizza vegana da Terra, preparados com muito amor pelo Andrey e Ana Luiza. Esses últimos nem conseguimos tirar foto antes de comer, mas podem ser encontrados na Quitanda do Geraldo ou VegAninha em Curitiba. 

A noite passamos no Barba Hamburgueria, um espaço cheio, com decoração alternativa, rock e opção de hamburgueres veganos com queijo vegetal (nesse caso é necessário dizer que é vegano e solicitar a troca). Além do tradicional de soja, um dos sabores é de beterraba com feijão, que é mais cremoso e muito delicioso. A Dani adora essas misturas inusitadas, então a pedida foi certa!

Na segunda noite continuamos no estilo fast food e comemos cachorro quente vegano da barraquinha Superdog, que fica em frente a cantina italiana Originalle, da qual falamos no nosso primeiro post sobre Curitiba AQUI, pois ela tem uma seleção vegana no menu. Esse cachorro quente tem várias versões a escolher, e costuma ter, além da salsicha vegetal, palmito, pure, vegarella, etc. É muito bom! E esse também não deu tempo para a foto!
No dia seguinte visitamos o recém lançado Veg Veg, que é um empório vegetariano. A loja tem uma decoração charmosa, rica em detalhes e com muitos produtos veganos, como os sorvetes e queijos da Tofutti, salsichas, pastinhas… tudo 100% vegetal! Na mesma galeria tem uma creperia que incorporou sabores veganos graças a investida do pessoal do Veg Veg! Por isso sempre sugerimos que insista para que os estabelecimentos tenham opções veganas e mostrem possibilidades. Essa é uma boa maneira de mostrar que há procura e quem sabe teremos ainda mais estabelecimentos com cardápio vegano!  Lá provamos um muito gostoso, de Mandiokejo, tomate e palmito! 

No penúltimo dia almoçamos no Ohana, restaurante a quilo na praça de alimentação de orgânicos do Mercado Municipal. Ele não é vegetariano, mas tem ótima oferta de alimentos, e sem o péssimo hábito de misturar coisas de origem animal nos legumes. Depois, um cafezinho no Les Caffés Especiais, também no Mercado Municipal. Lá tem cappucino vegano e outros cafés elaborados.

Já no último dia o almoço foi no Bouquet Garni, que é ovolactovegetariano, mas tem a feijoada vegana mais deliciosa dentre as tantas gostosas que já comemos. O prato da foto é da Dani, com as misturas de sempre. Esse restaurante é um dos maiores que conhecemos. Tem dois andares, mini market, sofás… No domingo estava com buffet livre. Bem legal!


Gostaríamos de ter conhecido o Semente de Girassol, mas não deu tempo. O lugar parece ser muito interessante. E quem quiser mais dicas veganas de Curitiba, incluindo passeios dos quais não conseguimos fazer dessa vez, poder ver AQUI como foi nossa viagem ano passado. Curitiba é a cidade com mais opções veganas que encontramos, incluindo opções para a noite que é mais difícil de ter.
Essas experiências foram incríveis! Mas é engraçado como no fim o que mais nos tocou foi o menos planejado e mais simples: reencontrar/conhecer, criar laços e passar ótimos momentos de forma tão natural com pessoas maravilhosas que encontramos pelo ativismo de Direitos Animais. E claro, faltaram algumas pessoas especiais que gostaríamos que estivessem lá conosco também! 

Nosso agradecimento a quem nos presenteou com sua companhia, a Sociedade Vegetariana Brasileira – SVB pelo convite e por terem realizado esse maravilhoso evento com grandes oportunidades de conhecimento, encontros, trocas e inspirações. Saímos muito mais motivados e capacitados para continuarmos na defesa animal. Em 2015 será em Recife! Guardem nosso lugar aí! Tem mais dicas? Comenta e compartilha aqui com a gente! Um mundo vegano de paz e respeito é possível e mais feliz!
“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” Antoine de Saint-Exupéry
Nosso agradecimento especial ao ativista e amigo Paulo Guilherme Pinguim do Divers for Sharks, que está para o que der e vir, do Rio a Curitiba, do protesto a comemoração! Esse espaço final, sempre dedicado a indicação de projetos pelos animais dentro do contexto do post, vai especialmente para esse trabalho incrível e incansável em prol dos tubarões, tão perseguidos e dizimados em seu próprio habitat. E em Recife, onde será o próximo VegFest, o trabalho é mais pesado em relação a isso. Se preparem então para 2015! Acesse: http://www.diversforsharks.com.br/
SERVIÇO:
Bouquet Garni: Alameda Doutor Carlos de Carvalho, 271 Centro. (41) 3223-8490 
Les Caffés Especial: Avenida Sete de Setembro, 1865 – boxe 311, Mercado Municipal.
O Barba Hamburgueria: Rua Vicente Machado, 578/642 Centro. (41) 3018-0825
Quitanda do Geraldo – Espaço Vegano: Av. Anita Garibaldi, 2140. Bairro Ahu. (41) 8861-5486
SuperDog: Rua Manoel Pedro, esquina com Rua Munhoz da Rocha, Bairro Cabral. (41) 9929-7172
Veg Veg Empório Vegetariano: Galeria General Osório, Praça Osório, 333- Loja 13. Centro.  (41) 3023-8015.
Semente de Girassol – Loja ativista vegana: Rua Treze de Maio, 512 São Francisco.

Paraty para vegetarianos

Estamos de volta a um lugar que gostamos muito: Paraty, cidade litorânea a 2 horas de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. A cidade possui o Centro Histórico com casas coloniais e ruas de pedra sem circulação de carros, um dos maiores destinos turísticos do país. Essas casas históricas abrigam hoje pousadas, restaurantes, ateliês e lojas de cachaças de produção local e artesanal.
artesanato paraty

Assim que chegamos, antes de ir para a pousada, paramos no Istambul para almoçar, pois ele fica bem próximo a rodoviária. É um restaurante turco pequeno e muito bonito. Se você caçar no menu e pedir pra tirar um iogurte aqui e um queijo acolá, perguntar se a massa em questão leva ovo ou leite, consegue encontrar ou elaborar algo vegano. Comemos kebab de falafel e de legumes refogados e hummus com pão sírio. Ah, e claro, fechamos com o café turco, aquele que vem com borra e você lê o seu futuro no desenho que ela forma da xícara.

Kebab de falafel e hummus no Istambul

Kebab de falafel e hummus no Istambul

À noite, procuramos pelo que seria o único restaurante vegetariano de Paraty, o indiano Ganges. Não temos boas notícias. Paraty não tem mais nenhum restaurante vegetariano. O destino então nos levou ao requisitado Margarida Café. Não é barato, mas vale a pena por ser a melhor noite do centro histórico (para quem curte balada, fica a dica do Paraty 33), com ótima música ao vivo, decoração, ambiente, atendimento, seleção de bebidas e a melhor pizza que já provamos! Sim, pizza. Não, não há pizza vegana no menu. Aliás, não há nada especialmente vegano no menu do Margarida, mas a variedade de ingredientes nas pizzas nos chamou a atenção. Há várias combinações sem carnes de animais. Escolhemos a “pizzaiolo” que vem com molho de tomates frescos, azeitonas, shimeji, shitake e champignon, e pedimos para não colocar o queijo. O garçom confirmou que a massa, como costuma ser, não continha leite ou ovos. Resultado, uma pizza vegana suculenta e saborosa.

Paraty 2012 Pizza de cogumelos do Margarida Café
O almoço do dia seguinte foi no Restaurante Arpoador, na Rua da Matriz. Eles tem uma moqueca vegetariana, acompanhada de arroz e um inacreditavelmente delicioso pirão. Tudo vegano, já que a moqueca é temperada no dendê e o pirão é feito com o próprio caldo da moqueca de legumes com a farinha de mandioca. Tudo muito bom! Mas uma dica, a porção para dois deles, vale para um batalhão. Se estiver em dois, peça para um.

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

As praias e ilhas de Paraty fazem parte da Baía de Ilha Grande e são paradisíacas.  Como pelo visto não estamos tendo muita sorte na escolha de data para viajar ao litoral, passamos por dias nublados. No entanto, em nossa última visita fizemos um passeio de saveiro, que passou em algumas praias e ilhas para mergulho, e é simplesmente o máximo! Água, areia, vegetação… tudo exemplo da perfeição da natureza. De maneira nenhuma, com tempo bom, deixe de visitar essas praias fora do centro. Na Praça do Chafariz há lugares para comprar o passeio que custa em média R$40,00 por pessoa, incluindo consumação de frutas a bordo.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

E perto da Praça do Chafariz, seguindo a Av. Roberto Silveira, encontrará a Sorveterapia, com sorvetes naturais, sem gordura hidrogenada e os de frutas são sem leite animal, portanto, sorvete vegano! Lá também costuma ter sabores exóticos como melissa e erva cidreira, mas estão em falta. Não é muito barato, ele é self service e umas 5 bolinhas custou em torno de oito reais! Mas encontrar sorvete vegano sempre vale a pena!

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

A pedida do centro histórico de Paraty é andar muito e com tranquilidade! E é muito prazeroso fazer isso por lá, já que as ruas são lindas e cheias de história. Lamentável é ver que a escravidão ainda não acabou em Paraty por meio das charretes. De vez em quando o encanto é cortado por uma charrete passando. Um cavalo escravizado forçando os músculos do pescoço e o corpo todo fatigado amarrado a um monte de apetrechos que o imobilizam, forçam e o atrelam a carroça como se fosse uma extensão macabra de seu corpo apropriado, a alma apática e a vida usurpada para carregar alguns turistas que teimam em não ter apatia, senso crítico e de justiça. Alguns, antes de subir ou depois, ainda tiram fotos, como se isso fosse algo belo a se ter orgulho e registrar para a posteridade. Também tiramos algumas fotos, mas não para mostrar a charrete, como muitos vêem. Mas para mostrar que ali no meio daqueles ferros e madeiras, debaixo de amarras e chicotes, há alguém, não uma coisa. Esperamos que um dia os vejam como tal, e os libertem dessa escravidão.

Centro Histórico de Paraty

Centro Histórico de Paraty

Cavalos escravizado em charrete de Paraty

Cavalos escravizados em charrete de Paraty

A noite jantamos no Flor do Rio, onde ficava o Grão da Terra, restaurante vegetariano que agora só faz entregas e não tem espaço físico. O Flor do Rio fica a beira do Rio Perequê-açú bem ao lado da segunda ponte que o atravessa. Não é um restaurante vegetariano, como chegamos a ler na internet. Há muitos pratos com carnes e outros com queijos, inclusive coalho, que usa enzinas digestivas. No entanto, há como pedir para preparar sem queijo e foram os pratos que mais apreciamos em Paraty, dentre as outras ótimas opções. Foi um risoto de pupunha e um escondidinho de cogumelos, feito com batata baroa, que acompanha arroz integral e uma caprichada salada.  De aperitivo, uma caipirinha de abacaxi com pimenta dedo de moça e uma Gabriela, que é cachaça com cravo e canela.

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

O almoço do último dia foi no elegante Banana da Terra, na Rua Dr Samuel Costa. Fizemos questão pela moqueca vegetariana diferenciada, feita com banana, palmito e pimenta de bico. Já o acompanhamento é arroz e uma farofa que pedimos para ser feita no azeite, mas eles disseram que ela já fica pronta e é feita com manteiga. De qualquer forma, ela não faz falta. Valeu experimentar, mas a moqueca do Arpoador também é muito boa e sai bem mais em conta.

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Como última dica, lemos que o bar restaurante O Café teria sempre uma opção vegetariana do dia, e uma lasanha de legumes com massa de palmito. O procuramos na Praça da Matriz, mas ele mudou de endereço. Fica a dica para quem for à Paraty procurar por ele. Está fora do Centro Histórico, mas não muito longe, na Rua Marechal Santos Dias, a meio quilômetro da Praça do Chafariz.
Fechamos com as fotos que vimos em uma exposição no Centro Cultural, onde uma câmera fotográfica foi dada a algumas crianças de Paraty para eles capturarem o que preferissem. Nos chamou a atenção as fotos de 3 meninos, o Felipe Maurício Rocha de 8 anos, o Keven Caique de 10 anos  e o Gilliardson Barcelon de 11 anos. Eles voltaram seus olhos para cães e gatos nas ruas e em casebres da cidade. Nota-se uma sensibilidade aflorada no olhar dessas crianças, e a importância de dar suporte e incentivar isso, para que não se perca ao longo da vida.

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Saiba mais sobre a escravidão de animais em carroças e charretes e soluções AQUI.

Material de Direitos Animais para crianças do Projeto Ulinha AQUI.

PS: Há uma pousada vegetariana em Paraty! A Solar D’Alcina Pousada. Usam inclusive a palavra vegan no site! Uma pena termos descoberto depois de reservarmos outra. http://www.solardalcina.com.br/

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