Imagine uma agência de turismo vegana

Foto: VegVoyages
A agência Vegvoyages está sediada nos EUA, e nasceu para facilitar a vida aos vegetarianos e vegans que gostam de viajar, e querem se poupar de toda aquela busca por opções veganas. Bom, nós adoramos essa busca, mas é claro que deve ser bem interessante apenas relaxar e poder desfrutar de tudo sem preocupações, incluindo a de ser levado para um passeio que explora animais para turismo de alguma forma. E de quebra conhecer veganos de diversos países! Mais um plus é estar aquecendo uma economia com valores da cultura de paz.
O compromisso apresentado pela empresa é fornecer refeições completas e adequadas a este tipo de alimentação durante toda a viagem, providenciando ao mesmo tempo um conjunto de atividades, com preços ao nível de qualquer agência de viagens.
Neste momento estão ao dispor sete circuitos na Índia, um no Laos e outro na Malásia. A agência pretende aproximar os participantes da cultura local, e para isso recorre a programas com pequenos grupos, e atividades apoiadas na população local, como aulas de cozinha tradicional vegetariana, ioga e espetáculos de música e dança, não descuidando, no entanto, as normais visitas a monumentos e locais históricos.

Os transportes vão das vans aos barcos, bicicletas e riquexós, e os alojamentos são adequados, com exclusão das grandes cadeias impessoais de hotéis. Excluídos dos preços ficam os voos, vistos e seguro de viagem.
A título informativo, a viagem mais barata neste momento é The Green Triangle, um circuito de sete dias na Índia, que fica por 773 € por pessoa. Na Malásia, o programa é de vinte dias, e no Laos de vinte e um, ficando ambos por 1.583 € por pessoa. Deu vontade, hein!

Para conhecer todos os detalhes dos programas visite o site da agência, em www.vegvoyages.com.

Fonte: Alma de viajante

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15 dicas para planejar um roteiro vegano na sua próxima viagem

Antes de chegar a um destino, há um caminho a percorrer. Todo mundo precisa planejar bem a sua viagem, até mesmo os mochileiros. O planejamento é uma fase muito gostosa, que nos faz sonhar cada vez mais em conhecer e viver tudo aquilo que vemos em nossas pesquisas, e descobrir mais do que esperávamos. Quando falamos de pessoas que fazem escolhas veganas, a viagem se torna ainda mais criteriosa, não podendo aceitar tudo de olhos fechados. E isso é um ponto legal, pois dificilmente aceitamos pacotes fechados, onde somos levados para onde todos vão, sem nem pensar direito o que estamos fazendo, porque estamos ali e se tinha algo além daquilo pra ir, fazer ou comer, como estar em um restaurante caro, cheio e barulhento. É um empoderamento.
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Veja então algumas dicas do que fazemos para planejar nossas viagens e depois relatar para vocês aqui no Vegetariando por aí. Se você tiver outras dicas, compartilhe conosco nos comentários.
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1. Pesquise a culinária local e selecione o melhor da riqueza vegetal que você não pode deixar de experimentar, como as frutas regionais. Além das releituras veganas de pratos típicos que alguns lugares costumam oferecer.
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2. Pesquise na internet se há restaurantes vegetarianos e veganos na cidade, e anote quais são. Sempre checamos no site Happy Cow.  É só inserir a cidade que deseja buscar restaurantes vegetarianos e vegans e ele mostra uma lista com endereço, descrição e review de quem foi lá. Além de ter um selo que discrimina se os restaurantes são veganos, ovolactos ou  com opções vegetarianas; além de lanchonetes naturais e lojas com produtos vegetarianos e orgânicos.
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3. Procure se já existem relatos de viagem na cidade feito por blogueiros vegetarianos ou veganos. Essa é a melhor forma de obter dicas, pois diferente do Happy Cow que apenas informa a lista de restaurantes, nos blogs de viajantes haverá a descrição da experiência pessoal no local, fotos diferentes das comerciais e quais valem a pena. Informações mais completas e atualizadas. Além disso, haverá dicas de descobertas veganas “não oficiais”. Por essas e outras o Vegetariando por aí existe! 😉 Aqui temos uma lista de 15 blogueiros viajantes vegetarianos e veganos.
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4. Marque no mapa turístico da cidade onde está o seu hotel e onde estão os restaurantes que você selecionou. Assim você terá uma melhor noção espacial para criar um itinerário de onde comer de acordo com os passeios.
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5. Baixe apps que mostram os restaurantes vegetarianos próximo ao local. Veja alguns aqui.
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6. Peça dicas em grupos e páginas de vegetarianos e veganos locais nas redes sociais. Geralmente são escritas como “Veganos Cariocas”, “Veganos do Rio de Janeiro” ou “Veganos RJ”, por exemplo. Também pesquise grupos de ativismo de direitos animais da cidade e entre em contato. Com sorte, podem até estar ocorrendo eventos e atividades especiais nos dias da sua visita e eles te informam tudo. Sem contar que já conhece pessoas da cidade!
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7. Não esqueça de criar uma reserva de lanchinhos rápidos durante as andanças e nas esperas do aeroporto ou rodoviária. Barras de cereais, castanhas, granola, bananada, paçoca e amendoins são grandes fontes de energia e ocupam pequenos espaços. Além de frutas como maça e pera.
Foto: gionutri.com.br

Foto: gionutri.com.br

8. Se você for fazer um voo internacional, há linhas aéreas que oferecem opções veganas nas refeições especiais. Mas esse serviço precisa ser solicitado com antecedência. Entre em contato com a empresa escolhida para saber se ela possui e agendar na compra. Saiba mais aqui.
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9. É claro que é um pouco frustrante às vezes não encontrar restaurante específico com pratos elaborados sem nada de origem animal. Mas quando isso acontecer, um restaurante com buffet tem opções simples que podem gerar um prato completo com grãos, legumes, massas de sêmola e uma rica salada. Basta usar a criatividade. Também procure pelos restaurantes indianos e árabes. É muito comum que nesses restaurantes haja pratos 100% vegetais tradicionais da própria culinária. Em Curitiba e Búzios comemos em árabe, e em Bonito caçamos os buffets que prezam pela variedade e não misturam carne e queijo em tudo.
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10. Entre em contato por e-mail com os locais mais indicados, mas que não tem opções declaradas, para saber se eles possuem opções veganos. Esse contato por escrito e com antecedência, dá mais espaço para que eles se informem melhor sobre a solicitação, perceba a demanda e até elaborem e incluam no cardápio pratos novos que sejam veganos. Isso tem ocorrido com cada vez mais frequência.

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11.  Avise no hotel que você é vegetariano ou vegano. Há hotéis que se preocupam com isso, veja aqui. Ou procure por hotéis já voltados para o vegetarianismo. Essas plataformas te ajudam na procura.

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12. Há quem prefira procurar hospedagem com cozinha a disposição do hóspede. Ou até mesmo alugar uma casa pra temporada; e assim poder fazer a própria comida. Não somos muito adeptos disso porque gostamos de bater perna procurando os lugares, sentar, sentir o local, reparar na decoração, descobrir as receitas deles, sentir o sabor dos pratos feitos pelos locais, etc. Mas falando em hospedagem, também há hotéis e pousadas que oferecem café da manhã vegano. Principalmente pousadas, geralmente pelos proprietários serem vegetarianos. Se você conhece alguma, nos conte. Aqui nós indicamos sete hospedagens vegetarianas no Brasil.

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13.  Aprenda na língua local o que você não quer comer (carne, frango, peixe – sim, tem que distinguir, frutos do mar, leite, ovo, mel, gelatina, etc.), para poder tirar a dúvida no estabelecimento, se precisar. Nesse caso, é mais certo perguntar diretamente o que não quer, ou se pode tirar tal ingrediente, do que se o prato é vegetariano ou vegano. Muitos não vão saber o que são exatamente esses conceitos, ou responder automaticamente “sim” para tudo. Uma dica interessante é o Passaporte Vegano, que tem traduções chaves em 73 idiomas.

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14. E como o veganismo não se restringe a parte de dieta, estude bem os pacotes, pontos turísticos e atividades antes, para não cair em alguma desagradável usando animais. Há lugares, principalmente no campo, que vendem a imagem de ecológicos e ambientais, mas usam animais para exploração turística, como mantê-los confinados e domesticados, isolados do ecossistema para expor, montar, passar na mão de turistas e tirar fotos. As vezes até fazer truques nada naturais. As fotos não transmitem o contato com a natureza, mas um ser com sua natureza roubada. Santuários e reservas ambientais que realmente existem para proteção animal, não os expõem a visitação e manuseio. Não financie isso. Se você quer contato com animais, visite o habitat natural deles, e os veja vivendo para suas próprias razões, respeitando seus interesses e limites, com o mínimo de interferência.  Ótimos exemplos são os mergulhos, as piscinas naturais no nordeste, o buraco das araras em Bonito, a ilha pinguineira em Ushuaia, etc. A beleza de um animal está em sua liberdade. Veja aqui a cartilha de Turismo Responsável da Ong FAADA.
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15. Baixe o jogo Run Cow Run. Boa dica pra passar o tempo se a viagem for longa. hehe É bonito, divertido e viciante.
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Boa viagem! E nos conte suas descobertas!

“Da natureza nada se tira, a não ser fotos. Nada se deixa, a não ser pegadas. Nada se mata, a não ser o tempo. Nada se leva, a não ser recordações.”

Paraty para vegetarianos

Estamos de volta a um lugar que gostamos muito: Paraty, cidade litorânea a 2 horas de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. A cidade possui o Centro Histórico com casas coloniais e ruas de pedra sem circulação de carros, um dos maiores destinos turísticos do país. Essas casas históricas abrigam hoje pousadas, restaurantes, ateliês e lojas de cachaças de produção local e artesanal.
artesanato paraty

Assim que chegamos, antes de ir para a pousada, paramos no Istambul para almoçar, pois ele fica bem próximo a rodoviária. É um restaurante turco pequeno e muito bonito. Se você caçar no menu e pedir pra tirar um iogurte aqui e um queijo acolá, perguntar se a massa em questão leva ovo ou leite, consegue encontrar ou elaborar algo vegano. Comemos kebab de falafel e de legumes refogados e hummus com pão sírio. Ah, e claro, fechamos com o café turco, aquele que vem com borra e você lê o seu futuro no desenho que ela forma da xícara.

Kebab de falafel e hummus no Istambul

Kebab de falafel e hummus no Istambul

À noite, procuramos pelo que seria o único restaurante vegetariano de Paraty, o indiano Ganges. Não temos boas notícias. Paraty não tem mais nenhum restaurante vegetariano. O destino então nos levou ao requisitado Margarida Café. Não é barato, mas vale a pena por ser a melhor noite do centro histórico (para quem curte balada, fica a dica do Paraty 33), com ótima música ao vivo, decoração, ambiente, atendimento, seleção de bebidas e a melhor pizza que já provamos! Sim, pizza. Não, não há pizza vegana no menu. Aliás, não há nada especialmente vegano no menu do Margarida, mas a variedade de ingredientes nas pizzas nos chamou a atenção. Há várias combinações sem carnes de animais. Escolhemos a “pizzaiolo” que vem com molho de tomates frescos, azeitonas, shimeji, shitake e champignon, e pedimos para não colocar o queijo. O garçom confirmou que a massa, como costuma ser, não continha leite ou ovos. Resultado, uma pizza vegana suculenta e saborosa.

Paraty 2012 Pizza de cogumelos do Margarida Café
O almoço do dia seguinte foi no Restaurante Arpoador, na Rua da Matriz. Eles tem uma moqueca vegetariana, acompanhada de arroz e um inacreditavelmente delicioso pirão. Tudo vegano, já que a moqueca é temperada no dendê e o pirão é feito com o próprio caldo da moqueca de legumes com a farinha de mandioca. Tudo muito bom! Mas uma dica, a porção para dois deles, vale para um batalhão. Se estiver em dois, peça para um.

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

As praias e ilhas de Paraty fazem parte da Baía de Ilha Grande e são paradisíacas.  Como pelo visto não estamos tendo muita sorte na escolha de data para viajar ao litoral, passamos por dias nublados. No entanto, em nossa última visita fizemos um passeio de saveiro, que passou em algumas praias e ilhas para mergulho, e é simplesmente o máximo! Água, areia, vegetação… tudo exemplo da perfeição da natureza. De maneira nenhuma, com tempo bom, deixe de visitar essas praias fora do centro. Na Praça do Chafariz há lugares para comprar o passeio que custa em média R$40,00 por pessoa, incluindo consumação de frutas a bordo.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

E perto da Praça do Chafariz, seguindo a Av. Roberto Silveira, encontrará a Sorveterapia, com sorvetes naturais, sem gordura hidrogenada e os de frutas são sem leite animal, portanto, sorvete vegano! Lá também costuma ter sabores exóticos como melissa e erva cidreira, mas estão em falta. Não é muito barato, ele é self service e umas 5 bolinhas custou em torno de oito reais! Mas encontrar sorvete vegano sempre vale a pena!

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

A pedida do centro histórico de Paraty é andar muito e com tranquilidade! E é muito prazeroso fazer isso por lá, já que as ruas são lindas e cheias de história. Lamentável é ver que a escravidão ainda não acabou em Paraty por meio das charretes. De vez em quando o encanto é cortado por uma charrete passando. Um cavalo escravizado forçando os músculos do pescoço e o corpo todo fatigado amarrado a um monte de apetrechos que o imobilizam, forçam e o atrelam a carroça como se fosse uma extensão macabra de seu corpo apropriado, a alma apática e a vida usurpada para carregar alguns turistas que teimam em não ter apatia, senso crítico e de justiça. Alguns, antes de subir ou depois, ainda tiram fotos, como se isso fosse algo belo a se ter orgulho e registrar para a posteridade. Também tiramos algumas fotos, mas não para mostrar a charrete, como muitos vêem. Mas para mostrar que ali no meio daqueles ferros e madeiras, debaixo de amarras e chicotes, há alguém, não uma coisa. Esperamos que um dia os vejam como tal, e os libertem dessa escravidão.

Centro Histórico de Paraty

Centro Histórico de Paraty

Cavalos escravizado em charrete de Paraty

Cavalos escravizados em charrete de Paraty

A noite jantamos no Flor do Rio, onde ficava o Grão da Terra, restaurante vegetariano que agora só faz entregas e não tem espaço físico. O Flor do Rio fica a beira do Rio Perequê-açú bem ao lado da segunda ponte que o atravessa. Não é um restaurante vegetariano, como chegamos a ler na internet. Há muitos pratos com carnes e outros com queijos, inclusive coalho, que usa enzinas digestivas. No entanto, há como pedir para preparar sem queijo e foram os pratos que mais apreciamos em Paraty, dentre as outras ótimas opções. Foi um risoto de pupunha e um escondidinho de cogumelos, feito com batata baroa, que acompanha arroz integral e uma caprichada salada.  De aperitivo, uma caipirinha de abacaxi com pimenta dedo de moça e uma Gabriela, que é cachaça com cravo e canela.

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

O almoço do último dia foi no elegante Banana da Terra, na Rua Dr Samuel Costa. Fizemos questão pela moqueca vegetariana diferenciada, feita com banana, palmito e pimenta de bico. Já o acompanhamento é arroz e uma farofa que pedimos para ser feita no azeite, mas eles disseram que ela já fica pronta e é feita com manteiga. De qualquer forma, ela não faz falta. Valeu experimentar, mas a moqueca do Arpoador também é muito boa e sai bem mais em conta.

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Como última dica, lemos que o bar restaurante O Café teria sempre uma opção vegetariana do dia, e uma lasanha de legumes com massa de palmito. O procuramos na Praça da Matriz, mas ele mudou de endereço. Fica a dica para quem for à Paraty procurar por ele. Está fora do Centro Histórico, mas não muito longe, na Rua Marechal Santos Dias, a meio quilômetro da Praça do Chafariz.
Fechamos com as fotos que vimos em uma exposição no Centro Cultural, onde uma câmera fotográfica foi dada a algumas crianças de Paraty para eles capturarem o que preferissem. Nos chamou a atenção as fotos de 3 meninos, o Felipe Maurício Rocha de 8 anos, o Keven Caique de 10 anos  e o Gilliardson Barcelon de 11 anos. Eles voltaram seus olhos para cães e gatos nas ruas e em casebres da cidade. Nota-se uma sensibilidade aflorada no olhar dessas crianças, e a importância de dar suporte e incentivar isso, para que não se perca ao longo da vida.

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Saiba mais sobre a escravidão de animais em carroças e charretes e soluções AQUI.

Material de Direitos Animais para crianças do Projeto Ulinha AQUI.

PS: Há uma pousada vegetariana em Paraty! A Solar D’Alcina Pousada. Usam inclusive a palavra vegan no site! Uma pena termos descoberto depois de reservarmos outra. http://www.solardalcina.com.br/

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