5 destinos incríveis para aproveitar o outono e inverno no Brasil

1. Petrópolis – RJ
Petrópolis fica na região serrana fluminense, e tem aquele ar colonial e europeu pelas ruas. Tanto pela família real portuguesa que morou por lá (tem o Palácio Imperial onde morou Don Pedro II e a casa da princesa Isabel), quanto pela colônia alemã. É um dos nossos destinos favoritos, e aqui relatamos nosso roteiro de passeios e descobertas veganas por lá. Apenas o que nos entristece ver por lá, são os cavalos explorados em charretes para turismo.
2. Paraty – RJ
Paraty é convidativa em todas as estações do ano! Tem praias e um centro histórico impecável. No inverno tem festivais de música, pinga e a famosa FLIP. A vida noturna é charmosa, tem ótimas opções de gastronomia vegana como a moqueca de banana da terra com pimenta (mais dicas aqui), e no frio se esquente com as degustações de cachaças fabricadas lá, como a Gabriela, feita com cravo e canela. O único ponto ruim são os cavalos escravizados nas charretes.
3. Curitiba – PR
É uma cidade linda, com muitos parques, praças e araucárias. Fizemos duas visitas a cidade, que possui muitas opções veganas diversificadas. De carrocinha de cachorro quente, passando por cantina italiana, restaurante indiano, fast foods, lojinha, a inclusive pra quem sai a noite. Tudo vegano. Veja aqui.
Foto: Cido Marques
4. Gramado e Canela – RS
Quem vai em uma, automaticamente visita a outra já que estão a apenas 9km de distância. Muito frio, chá, chocolate, plátanos pelo chão, passeio de maria fumaça, vinícolas (incluindo a Miolo), romance, aquele ar europeu e muito mais.
Observação sobre hotel em Gramado aqui.

5. Ouro Preto – MG

Cheia de ladeiras, igrejas e construções históricas. Durante a semana santa são realizadas missas em diferentes igrejas, procissões, concertos musicais e tapetes florais coloridos.

VEJA TAMBÉM: Saiba escolher vinhos veganos.
Anúncios

Paraty para vegetarianos

Estamos de volta a um lugar que gostamos muito: Paraty, cidade litorânea a 2 horas de Angra dos Reis, no Estado do Rio de Janeiro. A cidade possui o Centro Histórico com casas coloniais e ruas de pedra sem circulação de carros, um dos maiores destinos turísticos do país. Essas casas históricas abrigam hoje pousadas, restaurantes, ateliês e lojas de cachaças de produção local e artesanal.
artesanato paraty

Assim que chegamos, antes de ir para a pousada, paramos no Istambul para almoçar, pois ele fica bem próximo a rodoviária. É um restaurante turco pequeno e muito bonito. Se você caçar no menu e pedir pra tirar um iogurte aqui e um queijo acolá, perguntar se a massa em questão leva ovo ou leite, consegue encontrar ou elaborar algo vegano. Comemos kebab de falafel e de legumes refogados e hummus com pão sírio. Ah, e claro, fechamos com o café turco, aquele que vem com borra e você lê o seu futuro no desenho que ela forma da xícara.

Kebab de falafel e hummus no Istambul

Kebab de falafel e hummus no Istambul

À noite, procuramos pelo que seria o único restaurante vegetariano de Paraty, o indiano Ganges. Não temos boas notícias. Paraty não tem mais nenhum restaurante vegetariano. O destino então nos levou ao requisitado Margarida Café. Não é barato, mas vale a pena por ser a melhor noite do centro histórico (para quem curte balada, fica a dica do Paraty 33), com ótima música ao vivo, decoração, ambiente, atendimento, seleção de bebidas e a melhor pizza que já provamos! Sim, pizza. Não, não há pizza vegana no menu. Aliás, não há nada especialmente vegano no menu do Margarida, mas a variedade de ingredientes nas pizzas nos chamou a atenção. Há várias combinações sem carnes de animais. Escolhemos a “pizzaiolo” que vem com molho de tomates frescos, azeitonas, shimeji, shitake e champignon, e pedimos para não colocar o queijo. O garçom confirmou que a massa, como costuma ser, não continha leite ou ovos. Resultado, uma pizza vegana suculenta e saborosa.

Paraty 2012 Pizza de cogumelos do Margarida Café
O almoço do dia seguinte foi no Restaurante Arpoador, na Rua da Matriz. Eles tem uma moqueca vegetariana, acompanhada de arroz e um inacreditavelmente delicioso pirão. Tudo vegano, já que a moqueca é temperada no dendê e o pirão é feito com o próprio caldo da moqueca de legumes com a farinha de mandioca. Tudo muito bom! Mas uma dica, a porção para dois deles, vale para um batalhão. Se estiver em dois, peça para um.

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

Moqueca vegetariana do restaurante Arpoador

As praias e ilhas de Paraty fazem parte da Baía de Ilha Grande e são paradisíacas.  Como pelo visto não estamos tendo muita sorte na escolha de data para viajar ao litoral, passamos por dias nublados. No entanto, em nossa última visita fizemos um passeio de saveiro, que passou em algumas praias e ilhas para mergulho, e é simplesmente o máximo! Água, areia, vegetação… tudo exemplo da perfeição da natureza. De maneira nenhuma, com tempo bom, deixe de visitar essas praias fora do centro. Na Praça do Chafariz há lugares para comprar o passeio que custa em média R$40,00 por pessoa, incluindo consumação de frutas a bordo.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

Tiago relaxando em alguma praia de Paraty em 2009.

E perto da Praça do Chafariz, seguindo a Av. Roberto Silveira, encontrará a Sorveterapia, com sorvetes naturais, sem gordura hidrogenada e os de frutas são sem leite animal, portanto, sorvete vegano! Lá também costuma ter sabores exóticos como melissa e erva cidreira, mas estão em falta. Não é muito barato, ele é self service e umas 5 bolinhas custou em torno de oito reais! Mas encontrar sorvete vegano sempre vale a pena!

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

Sorvete sem lactose e natural, vegano, no Sorveterapia.

A pedida do centro histórico de Paraty é andar muito e com tranquilidade! E é muito prazeroso fazer isso por lá, já que as ruas são lindas e cheias de história. Lamentável é ver que a escravidão ainda não acabou em Paraty por meio das charretes. De vez em quando o encanto é cortado por uma charrete passando. Um cavalo escravizado forçando os músculos do pescoço e o corpo todo fatigado amarrado a um monte de apetrechos que o imobilizam, forçam e o atrelam a carroça como se fosse uma extensão macabra de seu corpo apropriado, a alma apática e a vida usurpada para carregar alguns turistas que teimam em não ter apatia, senso crítico e de justiça. Alguns, antes de subir ou depois, ainda tiram fotos, como se isso fosse algo belo a se ter orgulho e registrar para a posteridade. Também tiramos algumas fotos, mas não para mostrar a charrete, como muitos vêem. Mas para mostrar que ali no meio daqueles ferros e madeiras, debaixo de amarras e chicotes, há alguém, não uma coisa. Esperamos que um dia os vejam como tal, e os libertem dessa escravidão.

Centro Histórico de Paraty

Centro Histórico de Paraty

Cavalos escravizado em charrete de Paraty

Cavalos escravizados em charrete de Paraty

A noite jantamos no Flor do Rio, onde ficava o Grão da Terra, restaurante vegetariano que agora só faz entregas e não tem espaço físico. O Flor do Rio fica a beira do Rio Perequê-açú bem ao lado da segunda ponte que o atravessa. Não é um restaurante vegetariano, como chegamos a ler na internet. Há muitos pratos com carnes e outros com queijos, inclusive coalho, que usa enzinas digestivas. No entanto, há como pedir para preparar sem queijo e foram os pratos que mais apreciamos em Paraty, dentre as outras ótimas opções. Foi um risoto de pupunha e um escondidinho de cogumelos, feito com batata baroa, que acompanha arroz integral e uma caprichada salada.  De aperitivo, uma caipirinha de abacaxi com pimenta dedo de moça e uma Gabriela, que é cachaça com cravo e canela.

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

Risoto de pupunha e escondidinho de cogumelos no Flor do Rio

O almoço do último dia foi no elegante Banana da Terra, na Rua Dr Samuel Costa. Fizemos questão pela moqueca vegetariana diferenciada, feita com banana, palmito e pimenta de bico. Já o acompanhamento é arroz e uma farofa que pedimos para ser feita no azeite, mas eles disseram que ela já fica pronta e é feita com manteiga. De qualquer forma, ela não faz falta. Valeu experimentar, mas a moqueca do Arpoador também é muito boa e sai bem mais em conta.

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Moqueca vegetariana no Banana da Terra

Como última dica, lemos que o bar restaurante O Café teria sempre uma opção vegetariana do dia, e uma lasanha de legumes com massa de palmito. O procuramos na Praça da Matriz, mas ele mudou de endereço. Fica a dica para quem for à Paraty procurar por ele. Está fora do Centro Histórico, mas não muito longe, na Rua Marechal Santos Dias, a meio quilômetro da Praça do Chafariz.
Fechamos com as fotos que vimos em uma exposição no Centro Cultural, onde uma câmera fotográfica foi dada a algumas crianças de Paraty para eles capturarem o que preferissem. Nos chamou a atenção as fotos de 3 meninos, o Felipe Maurício Rocha de 8 anos, o Keven Caique de 10 anos  e o Gilliardson Barcelon de 11 anos. Eles voltaram seus olhos para cães e gatos nas ruas e em casebres da cidade. Nota-se uma sensibilidade aflorada no olhar dessas crianças, e a importância de dar suporte e incentivar isso, para que não se perca ao longo da vida.

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Felipe, de 8 anos, fotografa cão andando nas ruas de Paraty

Saiba mais sobre a escravidão de animais em carroças e charretes e soluções AQUI.

Material de Direitos Animais para crianças do Projeto Ulinha AQUI.

PS: Há uma pousada vegetariana em Paraty! A Solar D’Alcina Pousada. Usam inclusive a palavra vegan no site! Uma pena termos descoberto depois de reservarmos outra. http://www.solardalcina.com.br/

Este slideshow necessita de JavaScript.

Vegetariando pela cidade imperial: Petrópolis.

Mais um feriadão nesse nosso Brasil, e nada melhor que aproveitá-lo com uma viagem curta para uma cidade pequena. Resolvemos voltar a um lugar que gostamos muito: Petrópolis, a cidade imperial na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Aliás, esse artigo aproveita para homenagear essa cidade que em junho celebra as tradições de seus colonos alemães, através da Bauernfest. Admiramos e respeitamos esse povo que deixou a cidade imensamente charmosa com sua arquitetura e paisagismo, mas preferimos evitar as barracas de salsichões esfumaçando, os embriagados com a cerveja a metro e a cidade lotada, e fomos fora da data da festa do colono para aproveitarmos a cidade mais tranquila e mais nossa. Aliás, fomos em clima de Dia dos Namorados.

Petrópolis ainda não tem muitas opções veganas, então o que mostraremos aqui são pequenos espaços que encontramos. Lá também tem as grandes redes em que você pode elaborar seu prato ou lanche 100% vegetal, como o Subway e o Spoleto, mas viagem serve justamente para experimentarmos algo especial, então fuja do trivial e massificante.
No primeiro dia as 2 opções de restaurante que tínhamos em mente tiveram que ficar para os dias seguintes, pois era feriado e eles ficam dentro de galerias que estavam fechadas. Fomos então ao Capitólio Sushi Bar e pedimos misoshiro, kappamaki, futomaki de pepino, shimeji e manga, e shitake ao azeite e alho (no cardápio era na manteiga, mas pedimos para trocar por azeite). O misoshiro (sempre pergunte do que é feito, pois em alguns casos eles usam um tipo de caldo de peixe, mas aqui era a base de água) e o shitake estavam deliciosos.
Escolha vegana no Capitólio Sushi Bar em Petrópolis

Escolha vegana no Capitólio Sushi Bar em Petrópolis

A noite fomos ao Bordeaux, restaurante com adega* que se instalou no antigo celeiro da histórica, intrigante e charmosa Casa do Ipiranga ou Casa dos Sete Erros. Os pratos são limitados e não possuem opções veganas, a não ser castanhas e saladas. Para piorar, fomos desagradavelmente surpreendidos com a oferta de patê de Foie Gras no menu. Bola fora!
No dia seguinte, fomos aos pontos turísticos que não conhecemos na visita anterior. Andamos pelo interior do deslumbrante Palácio Quitandinha, construído em 1944 para ser um hotel cassino. Nessa visita tivemos uma surpresa, pois no jardim de inverno há uma grande gaiola que antes confinava pássaros e hoje é cenário de um borboletário virtual com um efeito muito bonito. Não sabemos se esse borboletário será fixo ou se é temporário, mas achamos ótima a ideia e só reforça que existem métodos substitutivos e mais educativos do que confinar animais de verdade, como nos zoológicos. Hoje o Palácio é sede do Sesc e possui até boliche e pista de gelo (varia conforme a programação). Infelizmente o restaurante do hotel foi desativado. Na frente do Palácio, nos deparamos com lindos cães gordos e limpos, alguns correndo e brincando pelo gramado na beira do lago e outros deitados na entrada do Quitandinha.
Cachorrinha deitada no gramado do Palácio Quitandinha

Cachorrinha deitada no gramado do Palácio Quitandinha

Almoçamos no San Te Tang, um restaurante chinês com serviço de buffet. Ele é ovolactovegetariano, mas o proprietário é um oriental muito atencioso e nos acompanhou pelo buffet discriminando os ingredientes de tudo! Conseguimos compor um prato vegano bem completo e gostoso. De sobremesa, uma torta de banana, com massa vegana. Mas claro, esperamos que o restaurante se torne definitivamente vegano. É o ideal: mais saudável, ético e inclusivo.
San Te Tang, restaurante vegetariano em Petrópolis

San Te Tang, restaurante vegetariano em Petrópolis

Após um café, fomos andando para o nosso destino do dia, a Casa dos 7 erros, na Rua Ipiranga. O centro histórico de Petrópolis é muito bonito, com jardins, praças, lindas casas e palacetes, e ruas seguras, portanto, o ideal é aproveitar a caminhada. Passamos pela praça da Liberdade, praça 14 Bis, Avenida Koeler, a casa da Princesa Isabel (a casa da abolicionista contrasta com a escravidão passando em frente por meio dos cavalos ainda explorados para charrete** de turismo na cidade, as chamadas vitórias), Igreja São Pedro de Alcântara (dessa vez fizemos uma visita rápida, pois já conhecíamos o lugar e sua história; mas recomendamos para todos a visita guiada, onde é possível subir no interior dela. Vale muito a pena. Ela é linda e impressionante em estilo neogótico.), Igreja Luterana, e finalmente, A casa!

Animal explorado em charrete passa em frente a casa da Princesa Isabel

Animal explorado em charrete passa em frente a casa da Princesa Isabel

Construída em 1884 por Karl Spangenberg a mando de José Tavares Guerra, um abolicionista que só usava trabalho remunerado, tem esse apelido devido aos “erros” existentes na arquitetura quando comparados os lados esquerdo e direito da fachada da casa. A estética assimétrica é proposital, e de acordo com o neto de José Tavares, que nos guiou pelos cômodos dela, seu avô acreditava que a beleza está na assimetria harmoniosa, como no rosto de uma bela mulher.
A casa é uma histórica obra de arte intacta. Jardins (de Auguste Glaziou, o mesmo da Quinta da Boa Vista) e interior são originais! Uma sala toda de jacarandá, uma lareira de mármore carrara, as pinturas de teto demonstrando as diversas viagens de seu dono, que faleceu jovem aos 46 anos, mas com muita bagagem. O cheiro, os detalhes e o ambiente em si de dentro da casa nos leva a uma viagem no tempo. Por adorarmos história e lugares mais calmos e exclusivos, onde podemos realmente mergulhar na atmosfera do local, suas informações e transmissões, foi uma visita muito especial.

Casa dos 7 erros ou Casa do Ipiranga

Casa dos 7 erros ou Casa do Ipiranga

No dia seguinte, almoçamos no Alimentação 2000 uma feijoada vegana completa, caseira e gostosa! O lugar é bem simples, dentro de uma loja de suplementos, então tenta seguir uma linha natural, mas derrapando ao incluir no menu pratos com frango e muito queijo. Tivemos sorte de nesse dia ter um prato vegano. No cardápio também tem hambúrguer de soja, mas de acordo com o funcionário, o deles leva ovo na composição.
Feijoada vegana no Alimentação 2000

Feijoada vegana no Alimentação 2000

Após o almoço, fomos caminhar na Rua Teresa, cheia de lojas. Em Petrópolis tem muita opção de couro sintético para roupas e calçados. A hora passou rápido, pegamos nossas mochilas, nos despedimos da cidade e voltamos para casa.
Até o próximo destino, amig@s!

Escreva-nos sugestões nos comentários!

Serviço:

San Te Tang (Restaurante ovolactovegetariano): Rua do Imperador, 288 – Sobreloja: 02 Centro – Petrópolis – RJ (Aprox. R$25,00 por pessoa)

Alimentação 2000 (Lanchonete natural): Rua Dr Alencar Lima, 34 Ljs 6 e 7 , Centro – Petrópolis – RJ (Aprox. R$20,00 por pessoa)

Capitólio Sushi Bar (restaurante comum): Av Dom Pedro I, 270 Centro – Petrópolis 0 RJ (Aprox. R$40,00 por pessoa)

** Saiba mais sobre a exploração de animais para tração e os métodos substitutivos.

NOTA ZERO: 
Petrópolis, pare de escravizar cavalos e bodes! Veja a campanha e matéria na TV AQUI.

Este slideshow necessita de JavaScript.