É leve, é? Turismo vegan em Maceió, Alagoas.

Bem vind@s a mais um destino do Vegetariando por aí! Após explorar delícias veganas no sul, sudeste e norte, resolvemos conhecer das mais belas praias do nordeste brasileiro, o que acabou se desdobrando no lugar mais impressionante já visitado durante o Vegetariando por aí. Pousamos em Maceió, capital de Alagoas, terra dos guerreiros, rendas, mangaba, coco, tapioca, pitanga, castanhas, piscinas naturais… Estado que aboliu a exploração de animais em circos desde 2011 e que tem movimentação vegana em ascensão.
A princípio pensamos em nos hospedar na praia do Francês, por ser badalada e ficar mais perto da Praia do Gunga, mas a distância dela para o centro é considerável. Nos hospedamos então na praia de Pajuçara, que além de muito bonita, tem ótimas opções para lazer e comida, como vocês irão ver mais abaixo. Além disso, fica de frente para as piscinas naturais, a 5 minutos de carro do centro histórico e dos restaurantes que nos interessavam, e a pé do banco de areia de Sete Coqueiros, da feira de artesanato, lojas de conveniência e farmácias.

Piscinas naturais de Pajuçara

Tapioca tradicional

Suco de mangaba

Logo que chegamos no hotel, desfizemos a mala e partimos para o almoço. Ao pegar o taxi já percebemos uma diferença do pessoal do Nordeste, e não estamos falando só do sotaque, mas também do humor típico do Nordeste. O taxista ficou super curioso para saber onde almoçaríamos, o Natureza Viva. O nome chamou a atenção dele, que insistiu em saber mais sobre o local. “É leve, é?”, perguntou umas três vezes. O restaurante é de “comida natural”, que fica perto de Pajuçara, com bufê a quilo e lojinha de produtos naturais, muitos do quais veganos e sem glúten. O lugar não é vegetariano, mas tem opções veganas. Para sanar qualquer dúvida sobre os pratos, chamamos a nutricionista que fica no local, e apesar dela não saber a primeira vista o que seria vegan, nos indicou quais eram os pratos 100% vegetais. A comida não é excepcional, mas é gostosa. O lugar é tranquilo, limpo e o que mais nos surpreendeu, foi a torta de banana sem leite e ovos, feita com aveia e melado. Um dos melhores doces já provado. Então mesmo que você não seja grande fã de pratos doces como a Dani, peça, pois pode se surpreender com essa sobremesa.

Prato vegan no Natureza Viva

Torta de banana vegan do Natureza Viva
Torta de banana vegan do Natureza Viva

Para o dia seguinte agendamos um passeio turístico de van que busca no hotel na hora marcada. Sempre ficamos com o pé atrás com passeio de agência, pois normalmente você acaba ficando preso ao guia, além de ser mais caro do que fazer por conta própria, mas esse não foi o caso. Foi mais confortável, rápido e proveitoso. Além disso, o passeio custaria normalmente R$30,00 para cada um, mas barganhando saiu por R$50,00 para o casal. Então seguimos em direção ao município de Marechal Deodoro, onde passamos rapidamente pela famosa Praia do Francês. A praia não fica devendo em nada para Pajuçara e a estrutura não é tão boa como a de lá, além disso, demos uma lida que o som alto é constante por lá. Depois, chegamos a praia da Barra de São Miguel e de lá pegamos uma lancha (R$25,00) para a tão esperada praia do Gunga. Esse passeio não é tão fundamental, mas não deixa de ser lindo. Tem duas paradas, em um recife de corais e em um banco de areia para um tranquilo banho. De lá a lancha segue para o cartão postal de Alagoas, a praia do Gunga, onde se encontra um passeio de buggy (R$30,00) para as incríveis e cinematográficas falésias!

Água de coco em Barra de São Miguel - AL
Água de coco em Barra de São Miguel – AL

Ao chegar no Gunga nos deparamos com muitas barracas, onde a água de coco é mais que o dobro do valor dos demais locais, mas andando na direção da península com coqueiros a praia vai se tornando mais vazia e paradisíaca. No entanto, o melhor está por vir, e estranhamente não é muito divulgado, fazendo com que muitos acabem por não descobrir esse tesouro natural. Pegamos um buggy na praia do Gunga que nos levou em um passeio por um lindo litoral, rodeado de coqueiros e que desvenda uma visão que parece uma miragem: as falésias, gigantes formações de areias multicolores, desenhadas pelo vento ao longo do tempo, que já foi cenário de filmes como Paraísos Artificiais e O Bem Amado. Ainda nos brinda com uma fonte de água doce para mergulhar. Experiência imperdível. Esse passeio é fundamental, vale até economizar uma grana para fazê-lo, pois é surpreendente. O bugueiro é muito simpático e se voluntaria para tirar várias fotos legais. Aliás, uma “indireta do bem” turística seria “Gente que se voluntaria para tirar foto de casal em viagem”. E nessa viagem conhecemos várias dessas belas e gentis almas!

Incríveis falésias na praia do Gunga, com nascente de água doce.

Passamos por esse e outros carcarás lindos e livres na praia do Gunga, perto das falésias. Passamos por esse e outros carcarás lindos e livres na praia do Gunga, perto das falésias.

Chegamos de volta ao hotel às quatro da tarde e à noite saímos para caminhar na orla e encontramos a sorveteria Bali, com mais de 90 sabores de sorvetes, dentre umas 2 dezenas eram a base de água, sem leite! É só montar como preferir e pesar. Difícil foi escolher e como sempre rola, fizemos uma misturada na ânsia de experimentar de tudo um pouco. Tamarindo, caipirinha, cajá, vinho, mangaba, limão, amora…
sorveteria bali em maceió vegano

Sorvete sem leite na Sorveteria Bali

No terceiro dia acordamos cedo para pegar uma jangada (R$25,00) para as piscinas naturais de Pajuçara. Vale a pena também alugar (caso já não tenha) óculos de mergulho, pois há muitos peixes, ouriços e corais nessas piscinas. Os peixes chegavam perto, morderam nossos dedos, nadaram junto, e ainda ficamos na expectativa de aparecerem tartarugas. Lá também dá para alugar caiaque (R$10,00) para ir até as outras piscinas. Em todas essas piscinas naturais, há barcos bares, para relaxar a vontade.

Peixes se aproximando nas piscinas naturais de Pajuçara

Voltamos às 10 horas, completando 2 horas de passeio. Depois de uma água de coco e um breve descanso chegou a hora de conhecer mais um restaurante com comida vegana em Maceió. Fomos até o Ser-afim, perto da praia de Ponta Verde. O lugar é de longe o mais recomendado por nós. É lactovegetariano, mas sempre com muitos pratos veganos. Comemos uma feijoada de shitake e legumes maravilhosa, que sempre é servida as quartas e sábados, e um guizado provençal também delicioso. Como se não bastassem as delicias, o ambiente do local é encantador, com ótima música, uma linda decoração e o vento característico de Maceió.
opção vegana em maceió restaurante ser-afim

Prato vegan no Ser-afim

À noite jantamos um acarajé dos melhores. Já estávamos sem esperanças de encontrar um vegano, mas achamos na barraca Acarajé Sabor da Bahia em frente à Feira de Artesanato de Pajuçara. Um acarajé caprichado feito por um rapaz que já com a ideia de atender a toda clientela sem exceções, prepara a massa do vatapá e do caruru sem camarão moído. A pimenta foi alertada pelo colega como “veneno”, que quer dizer que é muito forte mesmo para nordestinos, então acredite! A Daniele que ama pimenta já aprendeu que esse alerta não é brincadeira e pediu para colocar bem pouca, pois sem não tem graça, o que já rendeu algumas tosses.
Reservamos o quarto dia para conhecer o centro histórico de Maceió. Para quem ficar mais dias pela cidade, há diversos outros passeios que parecem valer a pena, como o Delta de São Francisco com dunas e o por do sol no passeio das Sete Ilhas na lagoa do Mundaú. O centro histórico, apesar de não ser muito divulgado, nem valorizado pelo turismo, já que perde a atenção para as praias, é muito rico com seus diversos prédios históricos de arquitetura barroca e neoclássica, com museus e igrejas.
O segredo é ir para a Praça Floriano Peixoto, popularmente conhecida como Praça dos Martírios. Lá perto tem o restaurante Sels, que é lactovegetariano, mas não encontramos opção vegana. O lugar é muito simples, a parte de leitura é apenas religiosa e há uma lojinha de produtos onde se encontra missô, salsicha de soja, dentre outros, como no Natureza Viva. Nessa praça estão o Palácio do Governo, que é um prédio neoclássico muito bonito e aberto a visitação quando não há reuniões. Nesse dia não demos sorte, pois o governador estava em reunião com ministros.
praça marechal maceió

Praça Marechal Deodoro ou Praça dos Martírios

Olhamos por fora o prédio da antiga intendência e a Igreja dos Martírios, que é muito bonita e diferente, com azulejos e torres de porcelana. Às 14h abriu o Museu Fundação Pierre Chalita, com um grande e imponente acervo de artes sacras. Esse museu é mantido com recursos particulares. Fomos recebidos por um menino responsável pela limpeza do local, e como o guia faltou no dia por questões médicas, foi ele quem nos acompanhou, explicando muito bem sobre a história das peças e do local, assim como as dificuldades de gerir e manter o espaço sem ajuda governamental, além da pouca visitação.

Museu Pierre Chalita

Descendo a rua da igreja em direção a praia, encontramos outros prédios históricos sendo restaurados, a Catedral de Maceió e subindo a rua do lado dela tem o mirante Santa Luzia. Voltando para a rua da igreja, passamos pelo Artesanato dos Guerreiros, prédio da Academia de letras e chegamos a praia onde tem o Museu Theo Brandão, um dos prédios mais bonitos e com acervo da cultura alagoana mantido pela UFAL.

Museu Théo Brandão

A tarde comemos tapioca tradicional com suco de pinha e de umbu-cajá. E a noite recebemos a encomenda da Amanita Veg, que é um delivery de lanches veganos. O único serviço genuinamente vegano que tivemos contato na cidade. Pedimos salgadinhos e uma quiche de “falso camarão” feito com repolho, cenoura refogada e um bobó de verduras. Uma delícia! A massa também é saborosa e leve. Deu até para fazer uma marmita para a viagem!

Quiche de “falso camarão” do Amanita Veg

Fechamos com uma dica importante que é consultar a tábua de mares antes de agendar a viagem, para ir quando a maré está baixa, e assim poder aproveitar os mares mais calmos, as piscinas naturais e uma cor de mar indescritível! Esperamos então ter conseguido inspirar boas sensações e proveitos dessa terra, valorizando tanto sua beleza natural que deve ser respeitada em vida, quanto a sua riqueza cultural e histórica, que não precisa se pautar em exploração animal. Caso já conheça, compartilhe aqui conosco suas impressões e descobertas, e se tiver se motivado a visitar Maceió, nos leve junto de volta! Até o próximo destino! Onde será? Mande-nos sugestões!

SERVIÇO

Restaurante Ser-Afim
Rua Paulina Maria de Mendonça, 141, Jatiúca
Horário de funcionamento: terça a domingo, das 12h às 15h
Mais informações: 3313-3155

Amanita Veg Delivery
Pedidos com 3 dias de antecedência: amanitaveg@gmail.com

Natureza Viva

Av. Fernandes Lima, 879 – Farol (perto da praia de Ponta Verde)

Horário: Segunda a sexta das 11h às 15h

Sorveteria Bali

Avenida Dr Antônio Gouveia 451, Praia de Pajuçara.

Acarajé Sabor da Bahia

Barraca em frente a feira de artesanato na praia de Pajuçara.

Av. Doutor Antonio Gouveia, 1447

Sels

Rua da Alegria, Centro.

GRUPOS DE PROTEÇÃO ANIMAL E DIREITOS ANIMAIS DE MACEIÓ (achamos por pesquisa na internet.Não os conhecemos pessoalmente)

Ong Criaturas do Bem

Grupo Vida Animal de Maceió (GVAM)

Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (NEAFA)

NOTA ZERO:
Empresa de Maceió SOCOCO escraviza burros para economizar na produção. VEJA AQUI.

MAIS FOTOS:

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12 comentários sobre “É leve, é? Turismo vegan em Maceió, Alagoas.

  1. Ola Irene!

    Nossa é muito bom ler comentários de pessoas que moram no lugar que nós visitamos aprovando e aproveitando as nossas dicas também! Ficamos muito felizes! =)

    Com certeza queremos voltar, a terra é linda! Ficamos apaixonados! Passe mais dicas para nós! 😉

    Beijos,

  2. Oi queridos veganos, amo ler o blog de voces 🙂 Obrigado por compartilharem, um dia quando for de visita ao Brasil, a vida será bem mais fácil!

    Beijo grande da Tailandia, onde estou escrevendo sobre a gastronomia vegan daqui 🙂

  3. Adorei o post, vou com meu namorado para Maceió em Julho e com certeza aproveitaremos as dicas, pois já cansamos de passar fome em viagens! Quanto ao hotel que vocês ficaram, vc recomendaria? Qual é?

  4. Olá. Ficamos felizes em poder ajudar! 🙂

    Ficamos no Solara em Pajuçara. Ele é bem simples, sem luxo nenhum. Até meio velho. Mas fica em frente a praia e a vista do terraço é maravilhosa. Não tivemos problemas lá em nossa estadia. E era mais em conta que os demais na mesma avenida. A localização foi ótima.
    http://www.hotelsolara.com.br/

    Boa viagem! Alagoas é incrível!!! Abraços.

  5. Olá! Feliz demais com o post de vocês! Quando voltarem em 2015 tenho uma dica de um novo local, prestes a inaugurar, que é o Sans Gluten, uma pâtisserie especializada para celíacos, intolerantes a lactose e com várias comidas veganas! 🙂 E ainda a Aynur, marca de um amigo, Nivaldo Vasconcelos, que faz produtos sem lactose. Ah, quase ia esquecendo da Erva Doce & Doce Erva, é um local bacana de comprar comida natural! Abraços!

  6. Eu e meu marido não somos veganos nem vegetarianos, mas um amigo chamou-nos pra ir ao Ser-Afim e começamos a pesquisar, pois não conhecemos ainda. Achei então esse post e fiquei muito, muito feliz ao saber que gostaram tanto do nosso Estado! Adoramos as dicas de vcs! Moramos num paraíso desses e ainda não desfrutamos de tanta coisa… Serão sempre bem-vindos! Bjus

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